Criação como Ato de Cura

Resistência e Transformação: Uma Jornada de Criação e Cura

Ao longo da minha jornada, tanto como pedagoga quanto como terapeuta holística, sempre me vi diante de um desafio comum: a Resistência. Ela aparece quando estou prestes a criar algo novo, seja um projeto pedagógico, uma prática terapêutica ou até mesmo ao me dedicar a trabalhos criativos mais pessoais. A cada nova ideia que surge, uma força invisível tenta me sabotar — o medo, a dúvida e a procrastinação se fazem presentes.

Steven Pressfield chama essa força de “Resistência” em A Guerra da Arte, mas para mim, essa resistência tem raízes mais profundas, que vão além do ato de criar. Ela é um reflexo das feridas que carrego, dos medos que acumulei ao longo dos anos e das narrativas que, por muito tempo, me impediram de ser quem realmente sou.

Trabalhando com diversas pessoas em diferentes contextos, percebo que a resistência não é apenas algo que impede a criação, mas também algo que denuncia onde estão as partes de nós que ainda precisam ser curadas. Assim como uma criança que luta contra as regras e combinados no processo de adaptação escolar, nós, adultos, também enfrentamos nossas próprias limitações internas. As inseguranças, os traumas e as crenças que nos foram passados formam esse muro de resistência que, muitas vezes, preferimos ignorar.

No meu caso, a resistência é mais forte quando me aproximo de um ponto de transformação. A sensação é de medo de mudar, medo de romper com o velho para criar algo novo, mesmo quando sei que essa mudança é necessária e benéfica. A criação, então, se torna um processo de cura, onde cada passo em direção ao desconhecido revela mais sobre quem sou e sobre o que ainda precisa ser transformado.

Aprendi, em minha prática terapêutica, que o ego é uma parte necessária, mas limitada, de quem somos. Ele é o responsável por nos manter seguros dentro de uma zona de conforto, e é justamente essa segurança que a Resistência quer preservar. Quando enfrentamos essa força, estamos desafiando o ego, que teme o desconhecido e, portanto, teme o ato de criar.

Esse mesmo ego impede a entrega total ao processo de cura e transformação que tanto buscamos. Na radiestesia, no reiki ou em qualquer prática energética, há um ponto em que precisamos soltar o controle e confiar. Essa confiança no fluxo do universo, em algo maior do que nós, também é essencial na criação. Não podemos controlar o resultado final, mas podemos nos comprometer com o esforço, com a entrega. E essa entrega é um ato de grande poder.

Quando me aprofundo na criação — seja escrevendo, desenvolvendo um projeto pedagógico ou oferecendo uma sessão de cura — estou, na verdade, respondendo a um chamado mais profundo. Criar é um ato de coragem, pois exige que enfrentemos nossos maiores medos, que olhemos para dentro sem máscaras e rompamos com tudo o que limita nossa expressão.

Na educação, vejo como cada indivíduo, adulto ou criança, enfrenta sua própria forma de resistência. Por trás de cada comportamento desafiador, existe uma batalha interna acontecendo. E nós também travamos essas batalhas diariamente. Cada escolha de criar ou não criar, de avançar ou recuar, reflete nossas lutas internas.

A criação, para mim, vai além do ato de materializar algo. Ela é também a recriação de nós mesmos, a reinvenção constante. Meu próprio processo de autoconhecimento — desde romper com relações tóxicas até me redescobrir como terapeuta e educadora — tem sido uma jornada de recriação e transformação contínua.

Com o tempo, compreendi que a disciplina não é apenas uma ferramenta de trabalho, mas uma prática espiritual. Assim como nos comprometemos com a cura daqueles que atendemos, também devemos nos comprometer com nosso próprio processo criativo. Não há como fugir da disciplina se queremos vencer a Resistência. Criar é um ato diário de presença e constância.

Percebo que a verdadeira disciplina surge quando estamos conectados ao amor — amor pelo que fazemos, amor pelo impacto que podemos causar e, acima de tudo, amor por nós mesmos. Quando atuo na criação com essa energia, a Resistência perde força, pois deixo de focar apenas no resultado e me entrego à experiência de me expressar de forma autêntica.

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